Sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Uma animação...

Noticiava um dos nossos diários, esta semana, que o défice dos Estados Unidos da América será este ano de aproximadamente 10% do PIB e era mesmo avançado um número: 1,6 milhões de milhões de dólares.

Ora, sabendo que o nosso PIB ronda, em dólares, os 220 mil milhões, isso significa que o défice dos Estados Unidos é (pelo menos) sete vezes superior ao nosso PIB….

É nestas alturas que nos devemos sentir pequeninos…

Porém, e porque a revelação supra pode não bastar assegurar o efeito desejado, no sentido de garantir uma depressão generalizada da nação, múltiplas entidades, públicas e privadas, têm-se desdobrado em hercúleos esforços para cumprir tão altruístico desígnio: animar a “malta”!

Exemplos?

As televisões de sinal aberto. Os canais generalistas lançaram, recentemente e em simultâneo, séries alusivas à temática do vampirismo. Regista-se o timing oportuno: de facto, os “chupadores” estão na moda e os góticos, o medievo e o novecentista em pleno renascimento. E, no intuito de garantir que a chinesização do país não se circunscrevia ao comércio, as Tv’s, aprestaram-se em copiar-se, seguindo o método chinês: copiar, em quantidade, independentemente da qualidade… Pena que não se siga o exemplo japonês: copiar sim, mas, acrescentando valor…

A política nacional. Um governo que ameaça provocar uma crise política tendo por justificação 50 milhões de euros, só encontra paralelo num casal que, com um rendimento de 3000 euros, se divorcia por causa de um café, ou uma imperial… É um bom princípio, sem dúvida: os sacrifícios terão de ser para todos. Mas quando se deitam à rua 500 milhões em RSI sem nada pedir em troca, não parece razoável fazer um tão grande alarido por 50 milhões…

A justiça portuguesa. Fazendo fé na autenticidade dos elementos trazidos a lume, esta sexta feira, pelo semanário Sol, o único pensamento que me ocorre é que o saldo na balança comercial obtido com a exportação de hardware nacional para a Venezuela foi liquidado através da importação de software para a intervenção, manipulação e condicionamento da Comunicação Social. O mínimo exigível é que os protagonistas que contribuíram para um novo episódio de inacreditável descredibilização do mais fundamental pilar do estado de direito democrático, pelo abafar deste caso, não precisassem de ser “empurrados” dos cargos que ocupam…

Se mesmo assim não for possível “animar a malta” resta uma solução radical: o recurso às vacinas para a “pandemia” da Gripe A. Material, ao que parece, não falta e a “pedra” é garantida…